sexta-feira, agosto 18, 2006

a rua o homem e a ciranda dos nomes

cenário: homem estendido sobre a cidade






deitar amor sobre a cidade,
como a uma mulher jovem,
em fôlego amor entrecortado transbordado
nos poros, olhos,
na volúpia do gesto,
no sopro tênue das peles,
a cidade é uma mulher jovem, a quem amo
- a cidade, eu, um corpo
amor sobre a cidade,
como à própria irmã, fruto igual, prolongamento
da matéria uterina
da matéria dúbia
de dor primeira e conforto último, a cidade
descolamento de tempo
- a cidade, o corpo
deitar à cidade,
como à própria mãe, à carne expelida, os nódulos originais,
volumes superfícies absolutas de mesma cor
- eu mesmo
deitasse a ela, como à própria filha,
invenção obsessiva, temperatura compartilhada, extensão,
potência violenta,
descontrole de que o amor não dá conta


(a cidade vive, para além de mim)


- um só corpo

sobre a cidade, deitamo-nos, há amor
como ao seio de uma mulher,
da própria irmã,
da própria mãe,
da própria filha;
- um só espírito.